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| Com aquisições, GRSA avança em limpeza e manutenção |
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A GRSA, líder do mercado brasileiro de refeições coletivas, acaba de comprar duas empresas de serviços: a Clean Mall e a FB Facility, ambas do grupo paulista FB. Segundo o presidente da GRSA, Eurico Varela, os negócios fazem parte da estratégia da companhia de triplicar de tamanho em cinco anos, o que significa atingir um faturamento de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões. A empresa, que pertence ao grupo inglês Compass, teve receita líquida de R$ 1,4 bilhão no ano fiscal encerrado em 30 de setembro.
"Na economia pós-crise, o grupo Compass passou a dar mais atenção aos países emergentes, em especial ao Brasil", diz Varela. Hoje, a operação brasileira está entre o sétimo e oitavo lugar em receita na lista de 55 mercados onde a multinacional atua. "Em quatro ou cinco anos, pretendemos passar para a segunda ou terceira posição."
Para alcançar esse objetivo, Varela aposta em um forte crescimento orgânico e em mais aquisições. "No momento não temos nada em vista, mas se aparecer uma oportunidade interessante vamos negociar", diz. O executivo não revela o valor da compra das duas empresas do grupo FB. Juntas, elas faturam R$ 90 milhões, têm 300 clientes no Estado de São Paulo e 5 mil funcionários. A Clean Mall é especializada em limpeza geral e hospitalar e a FB Facility em serviços de suporte, como manutenção predial, recepção, jardinagem, mensageria e segurança não armada. A negociação, segundo Varela, durou cerca de nove meses.
A incursão no segmento de serviços corporativos é uma tendência das empresas de refeições coletivas. A ideia é oferecer a possibilidade de o cliente centralizar em um único fornecedor uma ampla gama de atividades. No Brasil, concorrentes como a francesa Sodexo já atuam há bastante tempo nesse campo. No ano passado, foi a vez da Nutrin fechar uma parceria com o grupo mineiro Perfect, focado em limpeza e segurança. Na GRSA, a participação do segmento no faturamento ainda é pequena, de 7%, e deve crescer para 12% em um ano. A área representa 18% da receita global da Compass.
Desde 2008, quando o grupo Compass adquiriu a totalidade do capital da GRSA (50% pertenciam ao grupo Accor), a empresa fala em se expandir nesse segmento com aquisições. Os primeiros negócios, no entanto, ocorreram só agora. "Essas negociações vão e voltam", diz Vilela, que assumiu a presidência da empresa em outubro, no lugar de Paulo Pires, que foi para o conselho. Nascido em Cabo Verde, na África, Vilela está há sete anos no grupo e já comandou a filial da Compass em Portugal. Além de possíveis compras, o executivo espera crescer organicamente, aproveitando a retomada econômica. Só no primeiro semestre fiscal - de outubro a março -, a empresa fechou 195 novos contratos e a expectativa é encerrar o ano com um faturamento de R$ 1,6 bilhão.
O setor de refeições coletivas, que movimenta R$ 9,5 bilhões no Brasil, sofreu com a crise financeira, que levou as empresas a cortar custos e renegociar preços com seus fornecedores. No exercício fiscal encerrado em 30 de setembro, a GRSA registrou prejuízo de R$ 7,4 milhões. Varela diz que o resultado foi afetado por dois itens extraordinários - o cálculo para o valor presente de ativos e a atualização monetária dos montantes provisionados para processos judiciais em andamento - que somaram R$ 55,3 milhões. Mas ele também reconhece que a retração econômica teve efeito importante sobre a rentabilidade. Agora, no entanto, o cenário é outro. "Vamos crescer em todas as áreas em que atuamos", prevê o executivo. E a expectativa é voltar ao azul.
Veículo: Jornal Valor Econômico Data: 24/05/2010
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